Tília comum
Senti que estavas vindo e fui fazendo o chá. Agora eu vejo o pesado lamento das ondas encrespar-se no domínio súbito do silêncio, antes e depois de séculos de murmúrios, uma pausa, aqui, em nenhum outro lugar, o mar suspenso aberto com a espuma numa fosforescência desvanecida. Eu não morro agora como a onda mas morreria em paz, lá, sob a tília alta e na memória da tua avó caída. Finalmente começaram limpando o cadáver das folhas, encaminhado em sacos pretos pela rua abaixo, sem parar na livraria. Ficamos pela esplanada da Cristal para um café bem tirado e eu vejo nos teus olhos, a figura esguia e negra, o luto que puseste para honrar com mais força o futuro brilhante que se abre quando passas. Alguns momentos servem para lacrar, e aqui tenho um amigo, penso afundado na minha cadeira, agarrado à chávena como uma prece. Amanhã talvez entre na livraria.
